sábado, 6 de junho de 2009

Cerimónia do chá

Uma arte bem tradicional do Japão... a cerimónia do chá! Não é simplesmente servir chá as visitas... é muito mais que isso como poderão ver...

A cerimónia do chá (chanoyu: 茶会, literalmente, o caminho do chá ) é um sentimento que dificilmente pode ser expresso por palavras.

Foi desenvolvida sob influência do budismo Zen, cujo objectivo é purificar a alma do homem, confundindo-a com a natureza, o povo japonês procura o reconhecimento da verdadeira beleza através modéstia e simplicidade.


Os encontros de chanoyu são chamados de chakai (茶会, encontro para chá). São encontros formais onde para além do chá inclui também uma refeição tradicional (chamada de Kaiseki).

O praticante da Cerimónia do chá precisa ter conhecimento de várias artes tradicionais que fazem parte do Chanoyu (o cultivo e variedades de ervas para o chá, roupas tradicionais, caligrafia, arranjos florais...). Mesmo participando apenas como convidado é preciso ter conhecimeno de gestos e frases pé-defenidos, como comportar-se na sala e até como se servir de chá.



"A cerimônia do chá requer muitos anos de treino... antes de dominar toda esta técnica, cada detalhe, significa mais do que simplesmente servir o chá. É crucial que os movimentos sejam perfeitos, o mais educado, mais gracioso, e usando os bons modos. "
(Lafcadio Hearn)

Beber chá é um costume introduzido no Japão, no século IX, pelo Monge Budista Eichu, quando regressava de uma visita à China. O chá tornou-se a bebida mais consumida no Japão, e cultivada em seu próprio território.
O costume de beber chá, iniciou-se como uma forma medicinal, era como um luxo, uma vez que era importada da China.
No século XII, surge um novo tipo de chá, o chá verde, trazido por Eisai, outro monje japonês quando regressava da China. Este foi inicialmente utilizado em rituais de Templos Budistas.

No século XIII, já os samurais consumiam esta bebida como uma adaptação do Budismo, com isso o futuro do chá, estava traçado.
Por volta do século XVI, beber o chá tornou-se bastante popular, chegando a atingir todas as camadas sociais.

Sen no Rikyu e Takeno Jo são os responsáveis pelo desenvolvimento e criação da cerimónia do chá, sendo um deles: cada cerimónia de chá é única, e nunca poderá ser reproduzida

Estes costume resistem até hoje.


As regras rigorosas da etiqueta a Cerimónia do chá podem parecer penosas e meticulosas à primeira vista, pois são calculadas minuto a minuto, a fim de obter a maior economia de movimentos. Ao todo a cerimônia consome em média 4 horas.


De uma forma simplificada, a Cerimória consiste no seguinte:
  • a primeira sessão trata-se de uma refeição ligeira denominada kaiseki;
  • o nakadachi (uma pausa breve);
  • Gozairi, a parte principal da cerimônia onde o chá é servido;
  • Ingestão do chá;

Os utensílios da cerimônia são chamados de dōgu (道具, literalmente “Ferramentas”). São necessários uma grande quantidade de dōgu para uma cerimônia básica. Se fosse para fazer uma lista de todos eles, seria preciso prencher centenas de páginas de livros, com centenas de capítulos. A imagem demonstrada é apenas os itens essenciais:


quarta-feira, 3 de junho de 2009

Haiku ou Haikai

Este tema foi uma descoberta para mim...já tinha ouvido falar de Haiku, inclusive sabia do que se tratava...mas nunca procurei aprofundar este tema. Aqui vai um artigo sobre Haiku ou Haikai (como preferirem chamar-lhe)!


Haiku (俳句, ou Haikai ) é um forma poética de origem japonesa, que valoriza a concisão e a objetividade.

O haiku deriva duma forma anterior de poesia, que surgiu entre os séculos IX e XII, designada por tanka. Continha 5 versos, de 5 e 7 sílabas, que tratavam temas religiosos ou ligados à corte.
No século XV, os muitos concursos de poesia tanka deram origem a um jogo de escrita de longos poemas: a primeira estrofe, de 3 versos (com 5 ou 7 sílabas), era sugerida por um poeta e as restantes iam surgindo e associando-s. Era um jogo bastante competitivo.
Rapidamente a estrofe inicial de 3 versos acabou por se tornar uma forma independente de poesia. Mas só no século XIX, o mestre Masaoka Shiki lhe atribuiu um nome: haiku.

Bashô Matsuo (1644–1694), considerado o primeiro e maior poeta japonês de haiku, nasceu samurai e adoptou a simplicidade tanto na vida como na criação poética.
Enriqueceu o haiku, superando a artificialidade de poetas anteriores e tornando-o artistica e socialmente aceite. Começou a valorizar o papel do pensamento no haiku, introduzindo-lhe o espírito do budismo zen.
Os seus poemas sugeriam os mais variados estados de espírito: humor, depressão, euforia, confusão... permitindo assim uma consciência da grandiosidade da natureza ( física e humana).

"Este caminho,

Ninguém já o percorre,

Salvo o crepúsculo

De que árvore florida

Chega? Não sei

Mas é o seu perfume"
(Basho Matsuo)

Outros poetas do género se lhe seguiram foram: Buson Yosa (séc. XVIII), Shiki Masaoka (séc. XIX), Koi Nagata (séc. XX). Nem Shiki nem os poetas contemporâneos afirmaram uma ligação ao zen, como Bashô, embora seja inegável que a essência desta filosofia continue presente em muitas composições haiku.

“O haiku é mais do que uma forma de poesia; é uma forma de ver o mundo. Cada haiku capta um momento de experiência; um instante em que o simples subitamente revela a sua natureza interior e nos faz olhar de novo o observado, a natureza humana, a vida”.
(A. C. Missias, biólogo e poeta americano)

Assim, o haiku uma forma de poesia breve, depurada, bela, simples e fluente. É uma reacção estética minimalista à crescente consciência humana do caos. Exige uma atenção aos mais pequenos eventos da natureza objectiva e imediata; uma permanente atitude de espanto perante o fenómeno da natureza. Pressupõe uma relação entre o particular e o geral, entre o mais individualmente percebido e o ritmo cósmico da natureza, entre a efemeridade da sensação e o eco que esta pode despertar na sensibilidade e na memória, promovendo uma união entre o sujeito e o objecto. De referir que, no Oriente, o conceito de união entre o homem e a natureza é diferente do ocidental: o homem também é a natureza, por isso, o conceito de união remete para aquele momento específico em que o homem reconhece essa natureza a que ele também pertence.

Na pedra está o seguinte haiku:

"Nas folhas do livro

Que se abre no outono

Reaprende a cidade."

O haiku foi absorvido por outras culturas e línguas, tendo ganho popularidade em diversas regiões do mundo durante o século XX. Chegou ao Ocidente, quer pela via da imigração japonesa, quer pelo fascínio que o Oriente foi exercendo pelo Ocidente.